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Resumo da Semana — Salesforce destaca inovações em Data Cloud e postura em IA

Mudanças relevantes na Salesforce com foco em segurança e integração de IA.

Por Guilherme Dornelas03 de julho de 20268 min de leitura
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Resumo da Semana — Salesforce destaca inovações em Data Cloud e postura em IA

A semana trouxe insights sobre a evolução do Data Cloud com extensões em Python e um novo posicionamento da Salesforce em relação à utilização de IA externa. Embora não tenha havido anúncios bombásticos, as mudanças têm implicações significativas para arquitetura de projetos.

Semana interessante, mas com um asterisco: dos 26 itens captados, boa parte são ruídos de baixo sinal. O que sobrou de relevante mistura mudanças de postura da Salesforce como fornecedor — especialmente em segurança e integração com IA externa — com movimentos técnicos que afetam diretamente como a gente arquiteta projetos hoje. Não foi uma semana de anúncios bombásticos, mas foi uma semana de sinais que valem a pena ler com cuidado.

Três temas me chamaram atenção de verdade: o Data Cloud ganhando extensibilidade real via Python, a Salesforce assumindo abertamente que não quer ser sua única IA, e a pausa no enforcement do MFA — que parece boa notícia e esconde uma armadilha. O restante complementa, mas não lidera.

Data Cloud finalmente respira com Code Extension em Python

Fonte: Salesforce Blog

O Data Cloud sempre teve um problema que ninguém gostava de admitir em voz alta: as transformações nativas são poderosas até o momento em que o negócio exige algo que não cabe em bloco low-code. A partir desse ponto, a alternativa era torcer para o engenheiro de dados ter paciência com as limitações da plataforma ou jogar a transformação para fora — perdendo rastreabilidade, governança e contexto.

O Code Extension muda esse jogo ao permitir rodar código Python diretamente dentro do Data Cloud. Não é uma integração via chamada externa. É execução dentro da plataforma, o que muda completamente o perfil de risco, latência e auditabilidade. Transformações complexas em lote, lógica de normalização customizada, manipulação de estruturas aninhadas — tudo isso que antes precisava de orquestração externa agora pode viver onde os dados vivem.

O detalhe que considero mais relevante aqui é a menção ao chunking para redução de alucinações no Agentforce. Isso não é feature de marketing. Chunking mal calibrado é uma das causas mais comuns de respostas ruins em sistemas RAG — e ter controle programático sobre como os dados são fatiados antes de alimentar um agente é a diferença entre um piloto que funciona e um produto que vai pra produção. Quem está construindo arquitetura de Agentforce hoje precisa entender que a qualidade do agente começa na qualidade do dado processado, e essa feature entrega a alavanca que faltava para ajustar isso com precisão.

A Salesforce assumiu: ela não é — e não quer ser — sua única IA

Fonte: Salesforce Blog

Esse artigo passou despercebido por muita gente, mas é um dos posicionamentos mais honestos que a Salesforce publicou nos últimos meses. A mensagem central é direta: a empresa não está tentando substituir os LLMs externos que você já usa ou quer usar. Ela quer ser a camada que fornece contexto, segurança e regras de negócio para qualquer modelo que você decida conectar.

O mecanismo técnico por trás disso são os servidores MCP — Model Context Protocol. A ideia é que seu LLM externo, seja ele Claude, GPT ou qualquer outro, possa consumir contexto estruturado da org Salesforce sem que você precise replicar dados para fora ou abrir mão das permissões que já estão configuradas no CRM. O servidor MCP faz a ponte respeitando a segurança do lado Salesforce e falando a língua do modelo no outro lado.

Do ponto de vista arquitetural, isso tem implicações sérias. Durante meses o padrão que vi circular era "use o Einstein ou migre tudo pro Agentforce nativo". Esse artigo indica que a aposta agora é diferente: a Salesforce quer ser o sistema de registro que alimenta qualquer agente, não necessariamente o executor de todos eles. Para quem está desenhando arquitetura de IA em projetos enterprise hoje, isso abre caminhos que antes pareciam teoricamente possíveis mas praticamente inviáveis. Vale reler com cuidado.

MFA pausado: fôlego real ou armadilha de procrastinação?

Fonte: Salesforce Ben

A Salesforce suspendeu a aplicação obrigatória do MFA para usuários internos, que estava prevista para entrar em vigor em julho. Tecnicamente, o que muda é que a plataforma não vai bloquear usuários nem forçar o redirect para configuração obrigatória por enquanto. Administrativamente, a pressão imediata caiu.

O problema é o comportamento que isso tende a gerar. Quando um deadline de segurança é adiado indefinidamente — "until further notice" é a expressão usada — a tendência natural em boa parte das equipes é empurrar o item para o final da fila. É humano, é previsível, e é exatamente o cenário que cria dívida técnica de segurança. A adequação ainda precisa acontecer. A superfície de ataque via credential stuffing e phishing não foi pausada junto com o enforcement.

Se você tem projetos em andamento onde o MFA não está implementado, use essa janela para implementar de forma planejada, não para adiar. A diferença entre as duas abordagens vai aparecer exatamente quando você não quiser que apareça.

Flow: o motor que a maioria usa sem entender

Autoral: Guilherme Dornelas

A questão de como o motor de execução do Flow realmente funciona é uma das lacunas técnicas mais comuns que vejo em projetos Salesforce de todos os tamanhos.

Flow não é só interface visual. Por baixo existe um executor com regras bem definidas de ordem de processamento, gestão de contexto entre elementos, comportamento de bulkification em registros e limites de governança que se aplicam de formas diferentes dependendo do tipo de Flow e do gatilho. A maioria das automações que chegam para debugging problemático tem como causa raiz alguma suposição errada sobre como o motor se comporta — especialmente em cenários de múltiplos registros, chamadas a Apex invocável e sub-Flows aninhados.

Entender a diferença entre como um Flow Before-Save processa variáveis versus um After-Save com chamada de ação, por exemplo, muda completamente a decisão de arquitetura. É o tipo de conhecimento que não aparece no badge do Trailhead mas determina se o projeto vai bem em produção ou vai gerar um incidente às três da manhã.

Menções rápidas

Lightning Web Security e atributos customizados em LWC — Falhas silenciosas no DOM causadas por diferença de comportamento com LWS ativado ou desativado. Se você tem componentes que capturam eventos em atributos não-padrão e os ambientes de dev/prod não têm paridade nessa configuração, esse Stack Exchange thread é leitura obrigatória antes do próximo deploy.

IA no DevOps: diagnóstico automático de falhas em CI/CD — A engenharia da Salesforce mostrando como IA está sendo usada internamente para investigar falhas de build mobile. O que vale aqui não é o caso específico — é a mentalidade de aplicar análise automatizada em logs que antes exigiam um engenheiro experiente olhando manualmente. O padrão é replicável.

Agentforce Commerce no ChatGPT e Google — Catálogos de produtos sendo descobertos diretamente nas interfaces de IA externas, com checkout e governança do pedido permanecendo na org. O ponto de entrada muda; o controle não. Para projetos de Commerce Cloud com Agentforce, vale entender o modelo de integração antes de vender o que ainda não está maduro.

Releases de 2026 e o movimento em direção a agentes autônomos — O Concretio fez uma síntese razoável do que os releases de 2026 consolidam: morte gradual de legado, evolução do Flow como executor central e uma plataforma que está claramente migrando do modelo de armazenamento estático para execução ativa guiada por agentes. Nada novo se você acompanha a direção do produto, mas útil como referência para alinhar stakeholders.

E-mail delivery vs. deliverability no Marketing Cloud — Taxa de entrega alta não significa que a mensagem chegou onde deveria. Com filtros de spam cada vez mais agressivos e clientes de e-mail usando IA para priorizar e resumir mensagens, o jogo mudou. O artigo é introdutório, mas o problema que ele aponta é real e subestimado em implementações de Marketing Cloud.

Salesforce e o gap de habilidades em IA — Investimento em formação de profissionais, parceria com políticas públicas, o discurso de sempre mas com um contexto diferente: a demanda por pessoas que entendem de agentes autônomos no contexto Salesforce está crescendo mais rápido do que a oferta. Para quem está no ecossistema, a mensagem prática é simples: Agentforce não é mais opcional como área de conhecimento.

O que observar na próxima semana

Três coisas no meu radar para os próximos dias:

Primeiro, qualquer desdobramento sobre o MFA — se a Salesforce vai comunicar uma nova data ou se vai deixar o assunto em aberto. A comunicação oficial importa porque define o comportamento dos administradores de org no mercado inteiro.

Segundo, adoção prática do Code Extension em Python no Data Cloud. Os primeiros cases reais vão começar a aparecer em blogs técnicos e no Stack Exchange. Vale acompanhar o tipo de transformação que as equipes estão implementando — isso vai dar uma leitura melhor do impacto real do que o press release da feature.

Terceiro, o ecossistema de servidores MCP para Salesforce. A Salesforce publicou o posicionamento, mas a comunidade ainda está entendendo o que isso significa na prática. Espero ver as primeiras perguntas técnicas de implementação circulando nos fóruns nas próximas semanas.

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