Kanban Board em Screen Flow: o que muda no Spring '26 para quem constrói telas guiadas
Componente nativo do Spring '26 permite exibir registros agrupados por picklist direto em Screen Flows, sem código customizado

O Spring '26 inclui um componente nativo de Kanban Board para Screen Flows, permitindo exibir coleções de registros agrupadas por picklist sem precisar de LWC customizado. Útil para revisão de pipeline, triagem de Cases e pré-aprovações — mas com limites práticos que valem atenção.
Como o componente se encaixa em um Screen Flow
O Spring '26 trouxe um componente nativo de Kanban Board para Screen Flows. Em vez de depender de Lightning Web Components customizados ou de soluções da AppExchange para exibir registros agrupados em colunas, agora é possível montar essa visualização direto no Flow Builder, de forma declarativa.
A mecânica é direta: o componente recebe uma coleção de sObjects, agrupa os registros em colunas com base em um campo picklist — StageName, Status, Priority, o que fizer sentido no contexto — exibe até cinco campos por card e ainda permite somatórios por coluna. Tudo dentro de uma tela de Screen Flow, sem uma linha de Apex ou JavaScript.
O fluxo básico de configuração não foge muito do que já conhecemos:
- Um Get Records traz a coleção desejada — por exemplo, Opportunities abertas de um determinado owner ou queue — com todos os campos que serão exibidos no card.
- Em uma tela, adiciona-se o componente Kanban Board, apontando a Source Collection para a coleção retornada.
- Define-se o campo picklist no Group By (ex.:
StageName), o estilo do header (texto simples ou path), o campo de título do card e os campos adicionais — até quatro além do título. - Opcionalmente, habilita-se um footer com totais ou somatórios por coluna, útil para revisões de pipeline ou checagens pré-aprovação.
Um ponto que precisa ficar claro antes de qualquer entrega: o componente é, por padrão, uma camada de visualização. Ele não persiste alterações automaticamente. Se a tela precisar capturar mudanças — um revisor movendo registros entre colunas, por exemplo —, é necessário modelar isso com Decision, Assignment e Update Records após a tela. Não existe "drag and drop persistente" mágico aqui. A lógica de gravação continua sob responsabilidade de quem está desenhando o Flow.
Onde isso aparece em projeto real
Alguns cenários onde o Kanban Board pode substituir telas customizadas ou relatórios estáticos com legitimidade:
- Revisão de pipeline em comitês comerciais, com Opportunities agrupadas por Stage e somatório de Amount por coluna.
- Triagem de Cases por Status ou Priority em rotinas de atendimento.
- Backlog de Tasks organizado por Priority antes de uma reunião de planejamento.
- Pré-aprovações onde o aprovador precisa visualizar grupos de registros e seus totais antes de avançar para o passo de approval.
Em todos esses cenários, o ganho é menos de função e mais de experiência: substituir listas longas e relatórios estáticos por uma visualização que efetivamente ajuda na tomada de decisão.
Cuidados antes de empacotar como padrão de projeto
Para quem trabalha com Flow no dia a dia, esse é o tipo de componente que reduz a justificativa para criar LWCs customizados em casos simples de visualização. Antes, qualquer demanda de "quero ver isso em colunas tipo Kanban dentro de um processo guiado" caía direto na fila de desenvolvimento. Agora, um admin consegue entregar a primeira versão sem depender de engenharia.
Dito isso, alguns pontos merecem teste em sandbox antes de qualquer compromisso com cliente:
- Volume da coleção: o Get Records precisa ser filtrado. Renderizar centenas de cards em uma tela de Flow degrada a experiência de forma perceptível. Aplique filtros por owner, data, status ativo — o que fizer sentido para o contexto.
- Quantidade de campos no card: o limite é cinco, mas o ideal costuma ser dois a quatro. Card poluído não ajuda em decisão rápida.
- Picklists com muitos valores: se o campo usado no Group By tiver dezenas de valores, a tela vira uma navegação horizontal cansativa. Em alguns casos, vale criar uma picklist auxiliar com agrupamentos mais enxutos especificamente para o uso no Kanban.
- Persistência versus leitura: deixe explícito no design do Flow se a tela é apenas leitura ou se gera escrita. Misturar os dois comportamentos sem feedback visual adequado confunde o usuário final e gera retrabalho de suporte.
Vale a atenção?
É uma adição incremental, mas com impacto real em adoção. Telas de Flow são funcionais por natureza — e essa funcionalidade sem apelo visual tem pesado contra a aceitação em áreas de negócio acostumadas a dashboards e ferramentas externas. Um componente Kanban nativo encurta essa distância sem exigir código.
Não é uma revolução de arquitetura — é um componente de UI. Mas é exatamente o tipo de melhoria que, somada a outras evoluções declarativas, reduz o volume de código customizado em orgs maduras e devolve autonomia para o time de administração.
Como o recurso está vinculado ao Spring '26, confirme a disponibilidade na sua org e valide o comportamento exato dos somatórios, a ordenação de colunas e os limites de campos antes de prometer entrega. Sandbox primeiro, sempre.
Reduz a necessidade de Lightning Web Components customizados em casos simples de visualização em colunas, devolvendo essa entrega para o time de admins. Para projetos com processos guiados de revisão de pipeline, triagem de Cases ou pré-aprovações, melhora a experiência da tela sem aumentar dívida técnica. Não muda arquitetura, mas mexe positivamente na adoção do Flow por áreas de negócio.
Curadoria baseada em um tutorial de terceiro sobre o componente Kanban Board do Spring '26. O recurso parece existir, mas como envolve uma release específica, recomendo validar disponibilidade real e comportamento dos limites diretamente na Release Notes oficial da Salesforce antes de usar em projeto.
Em um Screen Flow, use um Get Records filtrado para trazer a coleção de sObjects com todos os campos necessários. Em uma tela, adicione o componente Kanban Board, aponte a Source Collection para a coleção retornada, escolha um campo picklist para o Group By (ex.: StageName), defina o campo header do card e até quatro campos adicionais. Habilite somatórios por coluna quando fizer sentido para revisão. Se a tela precisar persistir mudanças, modele Decision e Update Records após o screen — o componente em si não grava alterações.
A disponibilidade do componente está atrelada ao Spring '26 — confirme se a sua org já recebeu a release antes de planejar entregas. O componente é uma camada de visualização: ele não persiste mudanças automaticamente, e qualquer escrita precisa ser modelada explicitamente com Update Records. Coleções grandes degradam a renderização da tela, então filtros no Get Records são obrigatórios. Picklists com muitos valores tornam a navegação horizontal pouco usável. Limites exatos de campos, somatórios e ordenação de colunas devem ser testados em sandbox antes de virar padrão de projeto.
Este conteúdo foi reescrito e analisado editorialmente em português a partir de informações públicas da fonte indicada.