Novas edições Core, Advanced e Max do Agentforce: o que muda na precificação e no discovery
Salesforce empacota Agentforce, Slack, analytics agêntico e segurança em três camadas únicas, e isso muda como se desenha a proposta comercial

A Salesforce lançou as edições Core, Advanced e Max para Agentforce Sales, Service e Industries, consolidando SKUs de Slack, analytics e segurança em um único pacote com cota de Flex Credits. Para quem trabalha com Revenue Cloud, o discovery técnico muda de 'quais SKUs vocês têm' para 'quantos agentes vocês vão rodar'.
Toda vez que a Salesforce reorganiza edições, o time de licenciamento do cliente me liga em pânico. Aconteceu com Sales Cloud, aconteceu com o pacote de Agentforce 1, e agora está acontecendo de novo com o lançamento das novas edições Core, Advanced e Max para Agentforce Sales, Agentforce Service e Agentforce Industries. A diferença desta vez é que a reorganização faz sentido: em vez de o cliente montar um Frankenstein de SKUs para ter Agentforce, Slack, Data 360 e analytics agêntico funcionando juntos, isso vem embutido de fábrica.
Na prática, o pacote comercial virou o seguinte: toda edição, a partir da camada Core, já inclui Agentforce (com Account Research, Service Rep Assistant e Agentforce Coworker), Slack e Slackbot operando na mesma interface conversacional, analytics agêntico embutido (aplicativos e modelos semânticos prontos, não avulsos), segurança de dados nativa para proteger o que alimenta os agentes, e Premier Success Plan incluso. Fora isso, cada tier vem com uma cota de Flex Credits: 500 mil na Core, 1 milhão na Advanced, 2,75 milhões na Max. É moeda de consumo para rodar e escalar agente, então arquitetura de custo de Agentforce deixa de ser só "quantas conversas por mês" e passa a ser "quantos créditos essa jornada de agente consome".
Do lado comercial, o número que chama atenção é a Max Edition: mesmo preço da antiga Agentforce 1 Edition (US$ 550/usuário/mês), só que entregando o que a Salesforce está chamando de quase 60% a mais de valor, porque empacota Tableau Next, segurança enterprise e Slack sem custo adicional. Quem já está na Agentforce 1 Edition pode migrar para a Max sem custo extra, com até US$ 500 em valor agregado. Já a Core sobe para US$ 195/usuário/mês (dizem que é 70% mais valor que a antiga Enterprise Edition) e a Advanced vai para US$ 395 (50% a mais que a antiga Unlimited).
Para quem trabalha com Revenue Cloud e Agentforce Revenue Management isso importa porque o desenho de proposta comercial muda de figura: você para de negociar add-on de Slack, add-on de analytics, add-on de segurança separadamente e passa a discutir qual tier já cobre o escopo do projeto. Isso simplifica o discovery inicial, mas empurra a decisão de arquitetura para outro lugar: qual tier sustenta o volume de agentes que o cliente quer rodar em produção sem estourar Flex Credits no terceiro mês.
As edições de indústria (Agentforce Industries) seguem a mesma lógica, mas com modelo de dados vertical pronto para Financial Services, Healthcare, Setor Público e outros, governança de compliance já configurada e fluxos de negócio pré-montados. Preço novo para essas ainda não saiu, vem só no fim do outono do hemisfério norte (por aqui, ao redor de novembro/dezembro).
O que muda de fato na conversa com cliente
Antes, o discovery técnico começava perguntando "quais SKUs vocês já têm". Agora começa perguntando "quantos agentes vocês pretendem rodar e com que intensidade de uso", porque isso define se Core resolve ou se Max é necessário desde o dia um.
Empacotar Slack, analytics agêntico e segurança de dados dentro da edição base muda a régua de custo total de propriedade logo na proposta comercial. Isso é bom para quem vende e para quem implementa, porque tira da mesa a discussão eterna de "isso é add-on ou já vem incluso" que travava tanto POC quanto contrato.
Por outro lado, cria uma variável nova de arquitetura: Flex Credits. Se antes você dimensionava licença por usuário e pronto, agora precisa modelar consumo de agente por jornada, porque um cliente com Core pode esgotar créditos rápido se o volume de interações agênticas for maior do que o projetado no discovery.
Do ponto de vista de quem monta proposta técnica, gostei da consolidação: menos SKU fragmentado é menos risco de o cliente comprar errado. Mas o centro de gravidade da decisão de arquitetura migrou de "quantas licenças" para "quanto Flex Credit essa operação de agente vai consumir por mês", e isso exige um tipo de modelagem de consumo que boa parte dos times de pré-vendas ainda não está acostumada a fazer. É a hora certa para arquiteto de solução virar também arquiteto de consumo.
- Refaça o discovery de licenciamento considerando volume estimado de execução de agente (não só contagem de usuário), para escolher entre Core, Advanced e Max com dado real, não achismo.
- Se o cliente já está na Agentforce 1 Edition, verifique o upgrade gratuito para Max antes de qualquer renovação, porque o valor agregado (Slack, Tableau Next, segurança) pode zerar a necessidade de comprar add-on separado que já estava no radar.
- Em projetos de Agentforce Service, compare o custo de Outcome-Based Pricing do Help Agent contra o Flex Credit consumido pelo Service Rep Assistant na Max, porque a decisão entre "pagar por resolução" e "pagar por edição" muda o modelo financeiro do case de negócio.
- Em contas de indústria (Financial Services, Healthcare, Setor Público), segure a assinatura definitiva até a precificação específica sair, porque o pacote de dados verticais e governança embutida pode alterar o escopo do projeto de forma relevante.
Cuidado com o efeito "veio de graça, então vamos usar tudo": ter Slack, analytics agêntico e Tableau Next inclusos na edição não significa que o cliente tem maturidade de dado, processo e permissão para ativar tudo de uma vez. Ainda é papel do arquiteto dizer não para ligar Service Rep Assistant, Workforce Engagement e IT Service Agent no mesmo sprint sem antes resolver origem de dado no Data 360, sharing model e governança de agente.
Outro ponto: Flex Credit é recurso finito e compartilhado entre os agentes que rodam na org. Se o cliente não tiver visibilidade de consumo por caso de uso, o Flex Credit vira o novo API Limit, aquele número que ninguém monitorava até estourar em produção e virar incidente.
Este conteúdo foi reescrito e analisado editorialmente em português a partir de informações públicas da fonte indicada.